José era um homem distinto.
Não havia na sua região pessoa tal como ele. Elegante, de língua sábia e andar sutil.
Ainda sim, José não era não muito feliz, sentia-se invisível no meio de todo aquele povo.
Raramente algum olhar menos apressado atravessava seu semblante.
Por isso, teve José uma ideia, infeliz ideia, de querer agradar as pessoas.
Decidiu então pintar-se de ouro, puríssimo, até seus sapatos ganharam pinceladas da forte cor dourada.
Feito estátua que reluzia, José se atirou apressadamente para a multidão.
Sem muita demora, todos a sua volta maravilhavam-se do ouro que resplandecia do nobre homem.
Logo, milhares e milhares se amontoavam, cercando José.
Muito sábio, notou rapidamente que sua grande ideia foi sua maior tolice. Viu que ninguém estava interessado nele, apenas no ouro. Então temeu, e percebeu que corria muitíssimo perigo.
Tarde demais, a multidão de corações gananciosos lançou-se com violência para o frágil corpo de um único homem. Bastaram minutos para que seus pedaços viessem a passear no meio dos milhares. Muitos se jubilavam com pequenos fragmentos do corpo dividido de José, que brilhava muito. Sabiam por certo, que se fossem vendidos os pedaços luzentes, lhes renderia um bom dinheiro.
Assim terminou a história de um homem distinto.
Que não suportou o fato de não ser visto pelo que é.
E que decidiu ser aquilo que agradava as pessoas.
Não foi quem devia ser, morreu por aquilo que não era.
Este era José, homem distinto.